Ao enveredar no caminho obscuro da Senda Mística olhe-se diante do espelho e verás o que te espera – Conhecer a Ti mesmo.
Conhecer
a si mesmo não é se fechar sob a caixa de pandora e exigir que se
abra.Nem acreditar que somente aquilo que vê e sabe é real.Tente olhar
com o olho do outro.Há coisas que somente podem ser vistas e entendidas
pelo ponto de vista do outro.Somente assim poderá aprender o que o outro
escreveu e ensinou.
E
então poderá despertar o seu mestre interior e ver com seus próprios
olhos.Ao adentrar no olho do outro aprenda como se faz,porque se faz e o
que se faz.E ao retornar a olhar com seus próprios olhos, respire fundo
e faça.
Nenhum
conhecimento pode ser declarado conhecimento se não houver ação.Se
criares barreiras entre o seu modo de ver e o dos outros,viverá fechado e
comprimido em si mesmo.Ao ver com os olhos dos outros,poderá
entendê-los e saber o que realmente estão pensando.Quando aconselha
alguém com o seu ponto de vista na intenção de dizer o que você faria em
vez de entender o que ele deve fazer do ponto de vista dele,comete um
sacrilégio contra a vontade humana.
Por
isso,é importante não tentar entender ou julgar os outros pelo seu
ponto de vista.Ninguém tem o direito de viver a vida do
outro,principalmente fazendo-os enxergar apenas a nossa vida como
exemplo,por achar, de forma egoísta, que sabemos exatamente como eles
devem viver.Quando lemos um livro importante ou quando somos guiados por
um mestre espiritual conhecemos o que os outros pensam.
Ser
guiado não é o mesmo que ser alienado,alienação e entregar aos outros a
sua vontade.E é por esse motivo que se procura conhecer a si mesmo e
despertar seu mestre interior para poder enxergar com os próprios olhos.
Aquele
que caminha sob a Senda Mística pode ser acusado de fugir ao problema
no que se refere à verdade, ainda que não descubra a “verdade em si”,
irá descobrir que tudo possui uma questão cultural, uma falsa
consciência e muitas circunstâncias desconhecidas,
relevantes para sua descoberta.
Na
realidade, se acreditarmos já possuirmos a verdade, perderemos o
interesse em descobrir as próprias intuições que nos conduziriam a uma
compreensão aproximada e não estaríamos prontos para entender os dogmas e
os paradigmas que criamos.
Os
paradigmas são modelos, diretrizes, formas de pensamento ou caminhos e
teorias que construímos.Ao romper um paradigma surge um outro, ao
quebrar uma regra forma-se outra.Se disser que não “existe regras e que
tudo é feito pela vontade”, acaba formando uma nova regra.
Quando
se muda um paradigma não significa falta de lei ou de ordem.Tudo tem um
significado e uma representação,mesmo sendo nós os grandes produtores
desses paradigmas.
Para
isso,não podemos enxergar apenas pelo meio da causa e efeito ou pela
ação e reação.Em um tudo há um significado ou uma representação.Há um
significado na causa e outro no efeito.
Até mesmo o acaso possui um significado.
Eles
podem representar uma manifestação da vontade e da lei.Ao conceder a
experiência mística o único meio adequado de se revelar ao homem sua
natureza e sua espiritualidade,ainda é preciso admitir que o elemento
inefável almejado para adentrar na senda do conhecimento espiritual não
pode ser possível sem uma mudança de postura,autoconhecimento,de
conhecimento social e cultural estabelecido pelos conceitos éticos e
morais.
O conhecimento
cognitivo que se processa no interior do cérebro não é suficiente para
embrenhar na Senda Mística.Este conhecimento lógico não é a única forma
de aprendizagem.
É preciso um conhecimento de sensibilidade,que venha do tato e que não passa apenas pelo cérebro.
É
necessário visualizar,pegar,sentir,tatear com as mãos,abstrair e
concretizar conhecimentos para poder imaginar e despertar a Fé em si
mesmo.
Nenhum conhecimento está centrado exclusivamente no cérebro,mas também nos sentidos,na percepção e na intuição.
As bases fundamentais são:
Conhecer a ti mesmo,a Fé,Conhecimento e a Vontade.
Conhecer a ti mesmo é o primeiro desafio para obter consciência de si mesmo e do que é capaz.
Não
se pode dizer que conhece tudo o que está ao redor se não conhece a si
mesmo.Somente conhecendo sua divindade e seu demônio saberá o que é
capaz de fazer.
O segundo
desafio é a Fé em si, revelar sua divindade interior.A Fé é mais que um
requisito é a sublime transparência do Sou.A manifestação do Sou
reflete a força interior e exterior que desnuda o que está dentro de si,
a Fé.
O terceiro desafio
é o Conhecimento.Conhecer é aprender,seguir o coração,o seu corpo,sua
mente e seu espírito no caminho da espiritualidade e da evolução do ser
humano.O conhecimento está estritamente ligado com todos os sentidos da
natureza humana,e é o que dará o impulso no movimento de suas forças.
O
quarto desafio é a Vontade e está intrínseco a todos desafios.É
impossível obter sucesso se não houver vontade.Não há base única,nem
deve ser visto com pessimismo o fato de não possuir nenhum desses
atributos,porém,para permanecer na Senda é preciso,no entanto,buscar
estes desafios tornando-se uma pessoa de ação.
Engana-se
aquele que acha que tudo é simples.Na realidade a simplicidade das
coisas está na complexidade do que é.Somente com predisposição de
aprender e humildade poderá,então,seguir adiante caminhando pela Senda
Mística.
By João Coutinho em Arte Mágicka - Filosofia Oculta

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